Eu quero muito esse bebê, mas estou com medo: Por que uma gravidez desejada pode despertar medo, ambivalência e questões sobre quem eu vou me tornar?
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Atualizado: há 3 dias
Você pode ter desejado essa gravidez durante muito tempo.
Pode ter imaginado esse momento, feito planos e esperado muito pelo dia em que finalmente teria um bebê.
E agora que ele está chegando, uma sensação inesperada aparece:
medo.
“E se alguma coisa acontecer?”
“E se eu não conseguir?”
“E se meu corpo falhar?”
“E se eu não for uma boa mãe?”
“E se depois do bebê tudo mudar?”
E então vem uma segunda pergunta, talvez ainda mais difícil:
“Se eu quero tanto esse bebê, por que estou com medo?”
Quando desejamos muito alguma coisa, também nos tornamos mais conscientes daquilo que pode mudar.
E, quando essa mudança envolve alguém que você já ama antes mesmo de conhecer, é natural que possam aparecer preocupações, dúvidas e medos.
A gravidez coloca você diante de uma mudança que não é pequena.
Seu corpo está mudando.
Seu papel dentro da família vai mudar.
Seu relacionamento pode mudar.
Sua rotina vai mudar.
E uma das mudanças mais profundas seja perceber que você não será exatamente a mesma mulher depois dessa experiência.
Você vai precisar tomar decisões que envolvem outra pessoa.
E existe uma parte dessa experiência que não está sob seu controle.
Para quem está acostumada a planejar, organizar e resolver, isso pode ser difícil.
Você pode pesquisar tudo sobre o parto e continuar com medo.
Pode fazer um plano e continuar insegura.
Pode ouvir sua obstetra dizer que está tudo bem e ainda pensar:
“Mas e se acontecer alguma coisa?”
Às vezes, o medo não é exatamente do que vai acontecer no parto
A dor é uma preocupação legítima.
Mas, quando você olha com mais atenção, talvez perceba que existem outras perguntas por trás desse medo.
perder a própria identidade;
deixar de ser mulher além de mãe;
mudar a relação;
perder autonomia;
não reconhecer o próprio corpo;
não dar conta;
não conseguir conciliar maternidade e vida pessoal;
repetir modelos familiares;
não corresponder à imagem de “boa mãe”.
Por isso, perguntar apenas “como perder o medo do parto?” nem sempre é suficiente.
Uma pergunta mais profunda é:
“Do que eu tenho medo de perder?”
Controle?
Segurança?
Autonomia?
Identidade?
Uma relação?
Uma parte de quem eu sou?
Talvez você tenha criado uma imagem de como uma boa mãe deveria ser:
paciente, disponível, segura, carinhosa, capaz de dar conta de tudo.
E pode existir um medo silencioso de não conseguir corresponder a essa imagem.
Mas tornar-se mãe não significa transformar-se em alguém que nunca se cansa, nunca duvida, nunca precisa de ajuda ou nunca se sente perdida.
A maternidade também é um processo de construção.
Você não precisa saber exatamente quem será como mãe antes de viver essa experiência.
A forma como você vive a maternidade não começou na gravidez.
Sua relação com seus pais, suas experiências de infância e tudo aquilo que você aprendeu sobre ser mulher, cuidar, depender, trabalhar, agradar e ser valorizada fazem parte da história que você leva consigo.
Uma nova experiência pode colocar tudo isso em movimento.
Nem todo medo precisa revelar um trauma.
Nem toda emoção precisa ter uma explicação única.
Às vezes, compreender o que você está vivendo já é um passo importante.
Isso não significa que exista uma causa escondida para cada emoção.
Significa que você chega à maternidade carregando uma história.
E essa história merece espaço.
Segurança não significa ter certeza de que nada dará errado.
Significa conseguir permanecer conectada a si mesma diante daquilo que você não consegue controlar.
Segurança também pode significar saber a quem recorrer quando precisar de apoio.
Você pode sentir medo e continuar.
Pode não saber exatamente como será e ainda assim confiar em sua capacidade de atravessar a experiência.
Pode se tornar mãe sem desaparecer dentro desse novo papel.
Querer muito esse bebê e precisar cuidar de você também podem existir juntos.
No Método Néctar da Alma, começamos pelas suas próprias intenções e investigamos a experiência que você está vivendo, observando as conexões que aparecem entre corpo, emoções, experiências e história.
Sem pressupor uma resposta.
Sem tentar encaixar você em um roteiro.
Você não precisa chegar com a resposta.
Pode chegar com a pergunta.
Se esse medo estiver intenso, persistente ou estiver interferindo no seu sono, na sua rotina ou na sua capacidade de viver a gestação, converse com sua equipe de saúde.
O cuidado emocional pode caminhar junto com o acompanhamento médico, obstétrico e psicológico quando necessário.
Sobre Sônia Sertório
Sônia Sertório é enfermeira obstétrica e criadora do Método Néctar da Alma. Sua trajetória inclui anos de experiência acompanhando mulheres na gestação, parto, pós-parto, amamentação e primeiros meses com o bebê. A partir dessa experiência, desenvolveu um olhar para as dimensões emocionais que também atravessam a maternidade.
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