Eu deveria estar feliz. Por que estou tão angustiada?
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Atualizado: há 3 dias
Você queria muito esse bebê.
Pode ter esperado por ele durante meses ou anos.
Pode ter planejado sua vida para esse momento e imaginado como seria quando finalmente estivesse grávida.
Mas agora que aconteceu, você se surpreendeu com uma sensação que não esperava:
angústia.
Você olha para a barriga e sente amor.
Mas, junto com o amor, pode aparecer a culpa.
E começa a se perguntar:
“Eu deveria estar feliz."
Por que não consigo simplesmente aproveitar?”
"Será que tem alguma coisa errada comigo"?
Pode não haver nada de errado com você.
É possível estar feliz e angustiada ao mesmo tempo.
Você pode amar a ideia de ser mãe e, ainda assim, ter medo do que está por vir.
Pode estar feliz com a gravidez e preocupada com o parto.
Pode olhar para a barriga com carinho e, ao mesmo tempo, pensar:
“E se alguma coisa acontecer com o bebê?”
“E se eu não conseguir?”
“E se meu relacionamento mudar?”
“E se eu perder minha liberdade?”
“E se eu não for uma boa mãe?”
Uma emoção não anula a outra.
A experiência emocional não precisa ser coerente o tempo todo.
Você pode sentir amor e medo.
Gratidão e cansaço.
Alegria e saudade.
Desejo e dúvida.
Esperança e angústia.
Sentir uma emoção não apaga a existência da outra.
A maternidade não acrescenta apenas um bebê à sua vida. Ela reorganiza uma parte importante daquilo que você conhece sobre si mesma.
O corpo muda.
A rotina muda.
Os relacionamentos podem mudar.
A autonomia pode ganhar novos contornos.
A imagem que você tem de si também pode mudar.
E algumas dessas mudanças podem assustar justamente porque são importantes.
Quando algo nos importa muito, queremos ter certeza de que tudo ficará bem.
Existe outra forma de tentar controlar essa experiência: controlar até a maneira como você deveria se sentir.
Você imagina que deveria estar radiante.
Que deveria aproveitar cada momento.
Que deveria olhar para a barriga e sentir apenas gratidão.
E quando uma emoção diferente aparece... você começa a lutar contra ela.
Talvez você esteja tentando controlar até as próprias emoções.
Você não consegue impedir a angústia de aparecer. Então começa a se cobrar por senti-la.
E, de repente, existem duas dores:
a emoção que você está vivendo
e a culpa por estar vivendo essa emoção.
Mas existe uma parte da maternidade que não pode ser completamente controlada.
Você pode se preparar para o parto, escolher bons profissionais e se informar. Ainda assim, não saberá exatamente como será aquele dia.
Pode pensar em como será sua relação com seu filho, mas não saberá exatamente quem você será depois que ele nascer.
E pode ser justamente essa incerteza que esteja despertando tanta angústia.
Em vez de tentar imediatamente fazer a angústia desaparecer, talvez você possa começar perguntando:
O que está acontecendo comigo?
O que essa emoção está mobilizando?
O que eu preciso neste momento?
O que você teme perder?
O que precisa para se sentir segura?
O que essa gravidez está trazendo à tona?
Existe alguma experiência anterior que ganhou outro significado agora?
Que expectativas você colocou sobre a mulher que deveria ser durante a gravidez?
Não é preciso encontrar uma explicação para tudo.
Nem toda emoção precisa ter uma causa única.
Às vezes, o primeiro passo é simplesmente conseguir reconhecê-la sem transformá-la imediatamente em um problema.
E existe uma diferença entre acolher as oscilações emocionais da gestação e permanecer sofrendo intensamente em silêncio.
Se a angústia for persistente, intensa ou estiver interferindo no sono, na alimentação, na rotina ou na capacidade de viver a gestação, converse com sua equipe de saúde e considere buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
Por isso, pode ser importante ter um espaço onde essas perguntas possam existir sem julgamento.
Porque você não precisa provar que está feliz o suficiente.
Você pode estar feliz e com medo.
Pode desejar profundamente esse bebê e, ao mesmo tempo, precisar de cuidado para atravessar a transformação da mulher que está se tornando.
No Método Néctar da Alma, partimos daquilo que você está vivendo e das suas próprias intenções. A partir daí, investigamos as conexões que aparecem entre corpo, emoções, experiências e história.
Sem exigir que você tenha uma explicação pronta para aquilo que sente.
Do sintoma à história.
Da história à integração.
Você não precisa descobrir tudo sozinha.
Se existe uma emoção que você ainda não consegue compreender, ou se sente que precisa de espaço para olhar para essa nova fase com mais cuidado, o Método Néctar da Alma pode ser um lugar para começar essa investigação.
Sobre Sônia Sertório
É enfermeira obstétrica e criadora do Método Néctar da Alma. Sua trajetória inclui anos de experiência acompanhando mulheres na gestação, parto, pós-parto, amamentação e primeiros meses com o bebê. A partir dessa experiência, desenvolveu um olhar para as dimensões emocionais que também atravessam a maternidade.
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